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Declaração de Paz de Astana do VIII Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais e "The Story of One Sky" de Dimash Qudaibergen


Você já ouviu falar de uma reunião de líderes religiosos do mundo inteiro que ocorre de 3 em 3 anos em Astana, capital do Cazaquistão?

O Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais é um fórum internacional iniciado em 2003 para promover o diálogo inter-religioso, a paz e a cooperação, combatendo o extremismo, promovendo o respeito mútuo e discutindo o papel das religiões na sociedade contemporânea, sempre focando na coexistência e tolerância.

Assim, o último Congresso, o de 2025, contou com a participação de mais de 100 representantes de 60 países, entre eles líderes espirituais do islamismo, cristianismo, budismo, judaísmo, hinduísmo, taoísmo, zoroastrismo, xintoísmo, bem como representantes de organizações internacionais, da comunidade acadêmica, além de figuras políticas e públicas.

  Por que no Cazaquistão?

O Cazaquistão, situado na Ásia Central, com fronteiras com a China e a Rússia e um papel importante na antiga Rota da Seda, é justamente chamado de «encruzilhada de civilizações”. Por muitos séculos, representantes de diversas nações e grupos étnicos viveram e trabalharam juntos ali, construindo fortes laços culturais e econômicos que promoveram o enriquecimento mútuo e a prosperidade. 

 


O Cazaquistão vive hoje um modelo social único de harmonia interétnica e inter-religiosa em um Estado laico. No país, vivem mais de 130 nacionalidades e grupos étnicos. O número de associações religiosas chega a 3.088, representando 17 confissões religiosas. A diversidade etnocultural e religiosa do Cazaquistão é uma enorme riqueza, permitindo que o Cazaquistão acumulasse uma riqueza histórica inestimável, com a experiência de coexistência pacífica de diferentes religiões, culturas e civilizações. E isso, por sua vez, contribuiu para a formação de orientações de valores semelhantes na maioria da população, criando uma atmosfera de tolerância e harmonia inter-religiosa.

 Em um contexto mundial de conflitos étnicos e religiosos emergentes, a experiência singular do Cazaquistão no fortalecimento do diálogo inter-religioso e interconfessional tornou-se essencial em nível global. Não é por acaso que Astana, a capital do Cazaquistão, se consolidou como sede permanente e plataforma de diálogo para líderes religiosos.

Para receber os Congressos, foi construído em Astana o Palácio da Paz e da Conciliação com projeto do renomado arquiteto Normam Foster, uma estrutura arquitetônica singular em forma de pirâmides, que abriga o também o Centro Internacional de Culturas e Religiões e funciona como um local de pesquisa científica nas áreas de filosofia, estudos culturais, sociologia e estudos religiosos.


 O Congresso de 2025

No Congresso de 2025, com o tema “Sinergia para o Futuro”, entre os temas debatidos destacaram-se a prevenção de conflitos em zonas de tensão — do Oriente Médio ao Leste Europeu —, os valores espirituais na era da realidade digital e da inteligência artificial, bem como o combate à radicalização da juventude, ao crescimento das ameaças a edifícios religiosos, à intolerância religiosa.

O Brasil se fez presente durante a sessão temática sobre a religião como fator de desenvolvimento sustentável, em que o membro da Sociedade Teosófica da República Federativa do Brasil, Oswaldo Condé, falou sobre o papel da religião como elemento para o desenvolvimento sustentável da paz.

 Ao final do Congresso, é escrita e assinada  então a Declaração de Paz de Astana, que pode ser lida no final desse texto.

E onde entra o Dimash em tudo isso?

Dimash Qudaibergen sempre defendeu a paz entre os povos em todas as oportunidades, inclusive em seus concertos. Essa postura firme acabou por lhe render uma posição de Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas. Dimash passou 3 anos compondo uma canção muito importante para ele e cuja mensagem é importante para o mundo todo, chamada The Story of One Sky. Dimash cantou essa canção pela primeira vez exatamente no Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais de 2022. Dimash cantou diante do Papa Francisco que esteve presente e teve a honra de receber uma medalha das mãos dele.

         

The Story of One Sky é um réquiem multicultural e inter-religioso "moderno" (o Réquiem tradicional é uma canção para a Missa dos Mortos na Igreja Católica. O Réquiem mais conhecido é o de Mozart, cremos). O Réquiem geralmente tem duas partes: uma que lamenta a morte e outra que celebra a vida. 

Essa canção é um tour de force, uma canção que exige dele um domínio de sua voz e uma entrega emocional, que afeta profundamente todos que tem a oportunidade de ouvi-la. Sua mensagem de paz, seu grito final de “We are choosing life”, “Nós escolhemos a vida!” é uma experiência intensa para muitos! Quem esteve na estreia no concerto dele conta que as pessoas choravam de soluçar nesse momento, em uma emoção muito visceral e profunda!

No final do videoclipe oficial, Dimash incluiu um trecho da Declaração de Paz de Astana daquele ano, fazendo com que milhares de fãs como eu buscassem mais informações e descobríssemos tanto sobre seu país:

"O diálogo, a compreensão e a ampla promoção de uma cultura de tolerância, a aceitação do outro e a convivência pacífica contribuiriam significativamente para reduzir muitos problemas econômicos, sociais, políticos e ambientais que pesam tanto sobre grande parte da humanidade."

 Адам керуен, өмір жол. O homem é a caravana, a vida é a estrada. (Provérbio cazaque)  

 The Story of One Sky - Videoclipe oficial 

 The Story of One Sky ao vivo - Concerto de Almaty 2022 (a partir de 23min10seg). 

 

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DECLARAÇÃO DE PAZ DE ASTANA 2025

 Nós, participantes do VIII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, realizado em Astana nos dias 17 e 18 de setembro de 2025; unidos por nossa aspiração de contribuir para o fortalecimento do diálogo entre religiões, culturas e civilizações diversas, a fim de garantir a compreensão e o respeito mútuos, promover uma cultura de paz e melhorar as relações entre pessoas de diversas origens étnicas e religiosas.

Reconhecendo que o diálogo entre líderes religiosos pode fomentar uma consciência mais profunda e a promoção dos valores humanos universais; incluindo o incentivo e a proteção dos direitos humanos fundamentais e da liberdade, apoiando os esforços das Nações Unidas e de outras organizações internacionais, regionais, públicas e não governamentais para promover o diálogo entre religiões e culturas para reforçar a paz e a estabilidade no mundo. 

Reconhecendo o papel especial da Aliança de Civilizações da ONU na promoção de uma compreensão e respeito mais profundos entre civilizações, culturas, religiões e povos, reafirmando nosso compromisso com os valores e objetivos consagrados no “Conceito de Desenvolvimento do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais 2023-2033”.

Enfatizando a importância de respeitar a diversidade cultural e religiosa, expressando profundo pesar pelos conflitos em curso em várias partes do mundo, acompanhados por crises humanitárias e pelo sofrimento de populações pacíficas, acolhendo, neste contexto, o apelo do Presidente da República do Cazaquistão, Kassym-JomartTokayev, para unir os esforços de todas as pessoas de boa vontade para formar um novo movimento global pela paz.

Expressando preocupação com o aumento da intolerância religiosa e ideológica relacionada, incluindo suas manifestações no ambiente digital, que contribuem para a incitação ao ódio e à violência, observando que o terrorismo em todas as suas formas e manifestações não pode e não deve ser associados a qualquer religião, nacionalidade, civilização ou grupo étnico, reafirmando a importância de proteger locais e símbolos religiosos, que são patrimônios históricos únicos que refletem a espiritualidade, a cultura e as tradições dos povos em todo o mundo, expressando preocupação particular com a degradação ambiental e as mudanças climáticas, e observando o papel dos líderes religiosos na educação, inspiração e mobilização de suas comunidades para ações positivas a fim de proteger o meio ambiente.

Enfatizando que as novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, devem servir à humanidade, respeitar a dignidade humana e não causar danos, reconhecendo a importância de envolver jovens e mulheres no diálogo inter-religioso e intercultural para superar preconceitos, aprofundar a compreensão mútua e fortalecer a cooperação.

Destacando a importância da educação na promoção da paz, tolerância, compreensão mútua, diálogo inter-religioso e intercultural, e erradicação da discriminação com base em religião ou crenças.

Reafirmando a importância do Congresso como uma plataforma eficaz para o diálogo global e reconhecendo seu papel notável no fortalecimento do envolvimento intercultural e inter-religioso.

 CHEGAMOS À SEGUINTE POSIÇÃO COMUM:

1. Expressamos nosso compromisso em aprofundar o diálogo inter-religioso e intercultural como um instrumento importante para alcançar a paz, estabilidade social e cooperação global. Em meio a crescentes conflitos e confrontos geopolíticos, é o diálogo que abre o caminho para a paz e o desenvolvimento — a base para a sobrevivência da humanidade.

2. Apelamos aos governos nacionais, organizações internacionais, líderes religiosos, formuladores de políticas, especialistas, ONGs, mídia e todas as pessoas de boa vontade para que promovam ativamente o diálogo inter-religioso e intercultural como base para a unidade humana, incentivando a tolerância, o respeito pelos direitos humanos, a inclusão e a coexistência pacífica, e rejeitando o discurso de ódio e a violência, a fim de reforçar a paz e o entendimento mútuo entre povos e Estados.

3. Acreditamos que faz parte da missão dos líderes religiosos servir como guias morais nas sociedades contemporâneas, apontando áreas problemáticas e fomentando a confiança e soluções justas, bem como apoiando a pacificação e o diálogo construtivo em níveis regional e global.

4. Observamos que a “Sessão Especial sobre a Salvaguarda de Sítios Religiosos”, sob os auspícios da Aliança de Civilizações da ONU, realizada durante o VIII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, contribui significativamente para a preservação da diversidade cultural e da herança espiritual da humanidade, ao mesmo tempo em que reconhece os danos e a destruição que ocorreram em muitas partes do mundo nos últimos anos. Sua convocação contribui para o objetivo da ONU de unir esforços globais na promoção e proteção da liberdade religiosa.

5. Reafirmamos o valor do Documento “Sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum”, iniciado pela Santa Sé e Al-Azhar Al-Sharif, a “Declaração de Meca”, a “Declaração sobre a Construção de Pontes entre Escolas Islâmicas de Pensamento”, bem como iniciativas da Santa Sé, Bahrein, Jordânia, Aliança das Civilizações, Liga Mundial Muçulmana, Religiões pela Paz, Fórum Inter-religioso do G20, Conselho Muçulmano de Anciãos, Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) e outras organizações que visam fortalecer o diálogo inter-religioso e a compreensão mútua entre seguidores de diversas religiões e confissões em todo o mundo.

6. Expressamos nossa gratidão e respeito pela contribuição do Papa Francisco — um líder espiritual excepcional do nosso tempo, que dedicou sua vida a servir a paz, o diálogo entre pessoas e religiões e a proteção da dignidade humana e da justiça. Seu legado permanece como um guia luminoso para todos os que aspiram à harmonia, à misericórdia e à compreensão mútua.

7. Apoiamos resolutamente a tese da ONU de “Unidade na Diversidade” e as resoluções da Assembleia Geral da ONU voltadas para o desenvolvimento do diálogo inter-religioso e intercultural e para o combate à incitação ao ódio, tomando nota de iniciativas como o “Plano de Ação da ONU para a Proteção de Locais Religiosos”, que pode servir como um ponto de referência útil neste campo.

8. Expressamos profunda preocupação com a continuação dos conflitos em diversas regiões do mundo. Esses conflitos infligem danos devastadores a países e populações civis, causam violações em massa dos direitos humanos e colocam em risco os fundamentos da humanidade e a segurança global. Apelamos a todas as partes para que cessem a violência, estabeleçam o diálogo e busquem soluções pacíficas com base na Carta da ONU e no direito internacional.

9. Instamos veementemente a preservação da paz e a prevenção de qualquer uso de armas nucleares e outras armas de destruição em massa, que representam ameaças a toda a humanidade. Líderes e autoridades políticas devem exercer bom senso, seguir princípios morais e empreender todos os esforços possíveis para prevenir a escalada de conflitos armados, priorizando a preservação da paz e da segurança na Terra.

10. Chamamos a atenção para a necessidade da comunidade internacional de intensificar os esforços para apoiar mulheres e crianças, idosos, pessoas com deficiência, refugiados e pessoas deslocadas internamente de zonas de crise e conflito, garantindo seus direitos e integração social.

11. Reconhecemos que a desigualdade social fomenta o crescimento de visões radicais e apelamos aos líderes políticos para que reduzam as disparidades de riqueza e garantam condições de vida dignas para todos. Expressamos preocupação com a perda de direção espiritual e moral em sociedades consumistas e defendemos o cultivo de valores espirituais e responsabilidade moral nas sociedades modernas. Os seguidores de tradições religiosas não devem ser privados de seus direitos à liberdade de religião, de acordo com os valores espirituais.

12. Estamos convencidos de que as contradições e conflitos econômicos e políticos entre países não devem levar ao aumento da animosidade e intolerância intercultural e interétnica, nem ao ódio, à discriminação ou à violência entre as pessoas. A sociedade civil e os formuladores de políticas devem lembrar-se disso, incentivando a preservação do respeito mútuo e do diálogo que fomente uma cultura de tolerância e respeito entre pessoas, sociedades e nações.

13. Denunciamos o extremismo, o radicalismo e o terrorismo em todas as suas formas e manifestações e afirmamos a inadmissibilidade do uso da religião para fins políticos. Apelamos à cooperação entre líderes religiosos e políticos nesse sentido.

14. Condenamos qualquer propaganda de ódio religioso, incitação à discriminação, hostilidade ou violência com base na religião, a profanação de locais e símbolos religiosos e outros atos de intolerância religiosa.

15. Apoiamos a educação e a instrução religiosa como ferramentas para combater o radicalismo e o extremismo. A educação deve cultivar uma cultura de respeito por outras crenças e visões de mundo, lançando as bases para a coexistência pacífica e o respeito mútuo no mundo.

16. Apelamos à proteção dos direitos das minorias étnicas e religiosas, prevenindo a discriminação e a perseguição com base em raça, religião, cultura e outras diferenças. Reconhecendo que a diversidade humana reflete o plano divino e afirma a igualdade de todas as pessoas, enfatizamos a inadmissibilidade da coerção à religião e a necessidade de respeitar as diferenças como base para a coexistência pacífica.

17. Apoiamos a igualdade e a inclusão como fundamento para o desenvolvimento sustentável. Apelamos à proteção dos direitos de todos os grupos religiosos, étnicos e sociais, e à sua participação ativa na vida pública e no diálogo político.

18. Observamos o potencial das mulheres na vida política e pública e buscamos promover as condições que permitam a sua plena participação, reconhecendo como isso beneficia a sociedade como um todo.

19. Ressaltamos o papel da juventude na construção de pontes de compreensão e respeito entre diferentes culturas e religiões. Apoiamos o Fórum de Jovens Líderes Religiosos, realizado sob a égide do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, como uma importante plataforma para consolidar os esforços das novas gerações e garantir a continuidade do diálogo inter-religioso.

20. Expressamos preocupação com a desaceleração na implementação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU e apelamos aos países desenvolvidos para que aumentem o apoio financeiro e tecnológico aos Estados em desenvolvimento para que alcancem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, ao mesmo tempo em que apelamos aos países em desenvolvimento para que envidem todos os esforços possíveis em prol do desenvolvimento sustentável.

21. Reafirmamos a importância da proteção ambiental e do combate às mudanças climáticas. Apelamos a esforços globais para preservar os ecossistemas, prevenir desastres climáticos, mitigar as consequências e se adaptar às mudanças climáticas. Cuidar da natureza é nosso dever moral para com o Criador e as gerações futuras.

22. Instruímos a Secretaria do Congresso a preparar um documento intitulado “O Papel da Fé no Combate às Mudanças Climáticas”, com o objetivo de apresentá-lo em fóruns internacionais sobre o clima.

23. Apelamos ao uso responsável de novas tecnologias, incluindo tecnologias digitais, inteligência artificial e bioengenharia. O uso da IA para discriminação, hostilidade ou comprometimento da dignidade humana é inaceitável.

Enfatizamos a necessidade de desenvolver normas internacionais para o uso da IA com base em direitos humanos e princípios éticos. Afirmamos que, apesar do progresso no desenvolvimento da IA, a capacidade de compaixão e amor genuínos permanece exclusivamente humana, e o cultivo dessas qualidades deve se tornar a base do desenvolvimento humanístico e espiritual da humanidade.

24. Recomendamos explorar a possibilidade de desenvolver um conjunto de princípios universais para o uso responsável da inteligência artificial a partir da perspectiva de valores espirituais e morais.

25. Apelamos à comunidade internacional para que defenda os objetivos e os princípios da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e das garantias de segurança internacional, em meio à contenciosa agenda global e às realidades geopolíticas, que servem de base para a segurança e a justiça internacionais.

26. Apoiamos o apelo do Presidente do Cazaquistão, Kassym Jomart Tokayev, para estabelecer um novo movimento global pela paz, a fim de unir os esforços daqueles que se esforçam para superar divergências e conflitos, construir a confiança entre os povos e defender os ideais de paz e justiça.

27. Pretendemos intensificar o diálogo internacional sobre a promoção dos objetivos do movimento global pela paz e realizar uma série de eventos internacionais — mesas redondas, conferências e eventos paralelos — em parceria com outras plataformas globais e regionais, com o objetivo de identificar formas eficazes de promover uma cultura de paz e harmonia.

28. Propomos promover e implementar ativamente as ideias e os objetivos do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais nas plataformas da ONU e em outros fóruns internacionais para fortalecer os esforços globais na formação de uma comunidade internacional inclusiva e harmoniosa.

29. Apelamos à comunidade internacional e à Assembleia Geral da ONU para que reconheçam o importante papel do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, que, por mais de 20 anos, promoveu ativamente o diálogo e o acordo entre as religiões, contribuindo para o fortalecimento da paz e da harmonia. O Congresso fez uma contribuição significativa para moldar o diálogo inter-religioso global e a diplomacia espiritual com base no respeito mútuo e na cooperação.

30. Instruímos a Secretaria do Congresso a desenvolver um Roteiro para o avanço e a implementação da Declaração do VIII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, garantindo a concretização prática das propostas e ideias delineadas em nível internacional, em conjunto com os parceiros do fórum.

31. Recomendamos que a Secretaria do Congresso estabeleça um Centro Internacional Online de Conhecimento Espiritual com uma biblioteca eletrônica de textos e materiais dos Congressos, discursos de participantes e especialistas, bem como projetos de mídia que reflitam as ideias e objetivos do fórum.

32. Reafirmamos nosso compromisso compartilhado de dar continuidade ao trabalho do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais e expressamos nossa intenção de realizar o próximo, IX Congresso, em 2028 na capital da República do Cazaquistão, Astana.

33. Reconhecemos mais uma vez a República do Cazaquistão como um centro global e de autoridade para o diálogo intercultural e inter-religioso.

34. Expressamos nossa sincera gratidão à República do Cazaquistão, ao Presidente Kassym-Jomart Tokayev e ao povo do Cazaquistão pela convocação do VIII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, e pela organização de alta qualidade do evento, bem como por sua cordialidade e hospitalidade, que contribuíram para o fortalecimento da paz e da harmonia.

* * *

Esta Declaração foi adotada pela maioria dos delegados do VIII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais e está sendo encaminhada a governos, líderes políticos e religiosos em todo o mundo, organizações internacionais e regionais, instituições da sociedade civil, bem como associações religiosas e especialistas renomados. Ela também será divulgada como documento oficial durante a 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Os princípios contidos na Declaração podem ser aplicados em níveis regional e internacional para serem considerados em todas as decisões políticas, legislação, programas educacionais e meios de comunicação de massa em todos os países interessados.

 

QUE NOSSO CAMINHO RUMO À UNIDADE, PAZ E PROSPERIDADE SEJA ABENÇOADO! PARTICIPANTES DO VIII CONGRESSO DOS LÍDERES DAS RELIGIÕES MUNDIAIS E TRADICIONAIS

REPÚBLICA DO CAZAQUISTÃO

ASTANA

 

17–18 DE SETEMBRO DE 2025

 

 

 Fontes: 

https://www.gov.kz/memleket/entities/mfa-brazil/press/news/details/1070868?lang=pt-br

 https://e-history.kz/en/e-resources/show/13450

 

Qairan Elim: relembrando o passado e sonhando com o futuro da Nação

A independência do Cazaquistão e a resiliência das papoulas 



O Cazaquistão está celebrando seu principal feriado nacional hoje - o Dia da Independência, há cerca de 29 anos o país se tornou um estado soberano depois que o Conselho Supremo adotou uma lei sobre a independência do Estado do Cazaquistão em 16 de dezembro de 1991. O processo pacífico destacou o país como a única república ex-soviética a não cair em uma guerra civil na ausência do controle russo.

O Cazaquistão emergiu como um estado independente e embarcou no caminho das transformações pós-comunistas em circunstâncias extremamente difíceis. A economia soviética herdada estava em “queda livre” e o jovem país independente enfrentava a séria tarefa de realizar a reforma econômica e construir um novo Estado. A escassez crônica de capital, a destruição da rede comercial existente e a dificuldade de adaptar as empresas e estruturas soviéticas às condições do mercado levaram a uma profunda recessão na economia do Cazaquistão e dos países vizinhos.

Atravessando todas as adversidades e obstáculos que foram surgindo no caminho, tal como as papoulas que crescem selvagens nas estepes, o país não só sobreviveu como prosperou e floresceu.



Assim como o povo cazaque, as papoulas são conhecidas por florescer até nos piores cenários. Nem mesmo os invernos congelantes, guerras, secas ou a ferida aberta dos testes nucleares no Semipalatinsk são capazes de parar tão resiliente flor, assim como não foram capazes de parar o Cazaquistão.

Qairan Elim

O ano de 2020 trouxe novos desafios e presenciamos o mundo parar diante uma epidemia de proporções jamais vistas. Trazendo um tom mais emocional, melancólico e contemplativo, a música “Qairan Elim” é como um vislumbre da mente de Dimash, onde ele compartilha suas experiências pessoais, sua ansiedade sobre o destino de sua terra natal e o mundo inteiro. 

O compositor Renat Gaissin diz que sua inspiração veio em julho, ao rolar o feed de notícias. A cada notícia lida, os sentimentos do compositor se tornavam cada vez mais insuportáveis - eles, como relatos da guerra, eram preenchidos com informações sobre o número de novas pessoas infectadas e mortas devido ao coronavírus. O kobyz, instrumento ancestral ligado a representações da própria alma do músico, foi livremente adicionado durante a gravação do MV.

      Assim como o refrão, nós do DKFBC também desejamos felicidade e prosperidade ao Cazaquistão e ao mundo. Que possamos novamente nos reunir e reconstruir quando tudo isso passar, e que o futuro seja cada vez mais brilhante.


Oh, minha Terra Sagrada!


Mesmo que as lágrimas tenham tocado seus olhos,

Você não precisa esconder seus sentimentos.

Com amor por você minha pátria,

Eu rezo pela paz na terra!

 

Qual é o significado da vida sem provações?

Dificuldades temperam,

E o temperado não se quebra ...

Mas só o tempo vai curar tudo ...

 

Refrão:

 

Oh, minha terra sagrada,

Eu oro por apenas uma coisa -

Que seu coração bata para sempre.

 

Que todas as tristezas e sofrimentos sejam esquecidos,

Deixe o sol e a lua brilharem para sempre.

Que haja alegria em cada casa e riso das crianças ecoem,

E desejo prosperidade para todo o mundo!


O universo Dimash no Conexão Cazaque

 O Dimash Kudaibergen Fã-Clube Brasil (DKFCB) já tinha completado seis meses e conquistava cada vez mais dears nas redes sociais, mas a ideia era buscar outras formas de divulgar ainda mais o nome do Dimash e, ao mesmo tempo, contar sua trajetória para os próprios integrantes do fã-clube. Foi então que a dear Tayssa Marques resolveu procurar Klau Pajaro, uma amiga dos tempos da adolescência, para propor uma parceria. E assim, em julho de 2019, nasceu o Conexão Cazaque.


O programa, com uma hora de duração, é exibido todas as quintas-feiras, a partir das 21h, na rádio web Conexão Litoral. A pauta aborda de tudo um pouco sobre o universo Dimash: os concertos, a trajetória nos concursos, programas de tv e festivais e várias curiosidades sobre a carreira do músico. Também fala da cultura do Cazaquistão e, claro, apresenta sempre um repertório de canções. 


Tayssa e Klau são de Itanhaém, cidade do litoral de São Paulo. Tornaram-se amigas nos tempos de escola, na década de 80. Depois cada uma tomou seu rumo. Tayssa seguiu a carreira de cantora e Klau se formou em rádio e tv. Por conta do trabalho, moraram em várias cidades do país. Décadas depois Tayssa voltou à cidade natal e Klau foi viver em Florianópolis (SC), onde fundou a rádio Conexão Litoral. 


— A gente nunca perdeu contato todos esses anos. Eu sabia que ela tinha sua própria rádio e então perguntei se podia ceder um espaço para falarmos de Dimash. Ela topou na hora — lembra Tayssa.


Foi a primeira vez que Klau ouviu falar sobre Dimash e com o pedido da amiga foi conferir o trabalho do cantor.


— Me apaixonei e na hora aceitei. A música é ótima e o conteúdo do programa é super bacana. As pessoas têm gostado muito — afirma a radialista. 


Tayssa conversou com as administradoras do DKFCB e o time foi montado para produzir e apresentar o Conexão Cazaque. Além de Tayssa, integraram a equipe que fundou o programa as dears Tatianny Ribeiro, Diana Cheng Madruga, Ana Paula Nascimento, Sabrina Maciel, Ana Paula Lima e Dani Santos.


O Conexão Cazaque estreou em 4 de julho de 2019. Ficou suspenso um tempo depois para reajustar as rotinas da produção — em função do crescimento do fã-clube e do surgimento de novos projetos —, mas agora está de volta. Na semana passada falou sobre o concerto de Londres, de 2018, e da turnê Arnau.


— Fico feliz em ver que deu certo e tem sido executado pelo DKFCB com tanto amor, carinho, dedicação e empenho. Torço para que a finalidade do programa seja alcançada e a cada dia mais gente ouça e aprecie o talento e a voz do Diko — festeja Tayssa.


O programa desta quinta-feira, 13, será especial em homenagem ao 175° aniversário do pensador e poeta cazaque Abai Kunanbayev.


O Conexão Cazaque é transmitido no site conexaolitoral.com.br.

Abai, da poesia à lenda




“Não sei se vivi bem ou mal, mas percorri um longo caminho entre lutas e disputas, sentenças e discussões, sofrimentos e preocupações, e assim cheguei à idade madura, exaurindo minhas forças, cansado de tudo [...].
Papel e caneta serão meu único consolo, passarei a anotar meus pensamentos. Se alguém encontrar neles uma palavra útil, que a copie ou memorize. Já se ninguém delas precisar, permanecerão comigo. 
Agora não tenho mais nenhuma preocupação além dessa ”
Abai Qunanbaiuly, O Livro das Palavras.

O escritor e filósofo Abai é uma figura central na cultura e na sociedade cazaque, considerado o pai da literatura e um dos grandes responsáveis pela preservação do idioma. No passado, ele também foi celebrado como um precursor e exemplo do espírito soviético, ainda que tenha vivido antes da Revolução. Muitos escritores soviéticos locais consideraram Abai um "escritor verdadeiramente soviético" pelo fervor revolucionário de seus textos e sua ânsia pela dignidade do povo. Uma versão romantizada da vida de Abai se tornou um gênero enciclopédico e histórico próprio, um clássico do realismo soviético escrito por Mukhtar Auezov.
A construção de heróis como Abai e a escrita histórica em romances permaneceram no coração da literatura moderna cazaque do século XX. Durante esse período, no contexto da propaganda e censura soviética, os escritores usaram o gênero de romance histórico para recontar as histórias de seu povo e reescrever sua nação em romances, peças de teatro, óperas e outros gêneros literários. Abai se tornou o símbolo máximo do espírito das estepes e um dos primeiros protagonistas históricos do realismo soviético que o transformou em lenda e modelo.
Abai nasceu em 10 de agosto de 1845, na região do Semipalatinsk, no seio de uma família extremamente rica e poderosa e começou a escrever ainda na juventude. Apesar de pertencer à elite da sociedade cazaque, desde cedo se mostrou ciente das necessidades das pessoas comuns. Como filósofo, ele vivia com o que seu povo vivia, compartilhava com eles sua dor e privação. 
Sua principal contribuição para a cultura e o folclore cazaque está em sua poesia, que expressa grande nacionalismo e cresceu a partir da cultura folclórica. Antes dele, a maior parte da poesia tradicional era oral, ecoando os hábitos nômades do povo das estepes. Durante sua vida, no entanto, ocorreram várias mudanças sócio-políticas e socioeconômicas importantes, a influência russa continuou a crescer no Cazaquistão, resultando em maiores possibilidades educacionais e em exposição a diferentes pensadores. Abay Qunanbayuli mergulhou na história cultural e filosófica dessas novas visões. Nesse sentido, sua poesia criativa afetou o pensamento de toda a classe instruída do país.
Seu legado é rico em canções e poemas, traduções e prosa. Seu livro mais famoso Kara Sozder, popularmente conhecido como O Livro das Palavras embora Palavras de Edificação seja uma tradução mais fiel, ganhou recentemente uma versão em português. Escrita ao longo de quase 10 anos, reúne 45 palavras de aconselhamento e contemplação que expressam seus mais profundos pensamentos, aspirações e críticas. Esta obra é uma reflexão sobre a vida nacional cazaque na segunda metade do século XIX e tem influenciado gerações até hoje.
Você pode encontrar o livro gratuitamente para download no site oficial da Embaixada do Cazaquistão no Brasil ou, se for usuário de Android, na Google Play Store.
Durante o mês de maio, estaremos publicando alguns de seus poemas por aqui e incentivamos a todos que lerem a participarem do Abai Challenge que lançaremos em breve em nossas redes sociais. 
Жақында кездескенше!

Texto, pesquisa e tradução por Sabrina Maciel

Karagym-ai, o amor paterno e a importância da música na cultura cazaque


Depois de meses sem postar nada aqui trago mais um artigo especial com um pouquinho da cultura cazaque e da história por trás das músicas que nosso querido Dimash canta.

Há um provérbio que diz: “Deus colocou uma partícula de kuy (música) na alma de cada cazaque no momento de seu nascimento”

Pessoas que vieram de fora, que observaram a vida dos cazaques nos séculos 18 e 19, notaram com surpresa e admiração, a criatividade do povo, a capacidade de criar improvisações musicais e poéticas, a participação de toda a sociedade em rodas de música - de crianças a pessoas muito idosas.

Cada estágio da vida é acompanhado por uma música. Por exemplo, quando uma jovem se casava e deixava sua aldeia, ela cantava uma música dedicada a cada um de seus parentes. Há uma música que é cantada nos casamentos, também uma música dedicada ao 25º aniversário, considerada a idade da maturidade. Os funerais também são acompanhados por cantos específicos.


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Aproximadamente 25 anos atrás, o poeta cazaque Shomishbay Sariev escreveu a letra da música "Karagim-ai". Ele dedicou a música à filha, que estava se casando. O pai coloca seus sentimentos no texto, sua preocupação em como será a vida da filha com o noivo, o que a espera pela frente. Compartilha com ela pensamentos sobre o significado da vida. O poeta argumenta que o significado mais importante da vida é o amor. A vida vivida sem amor é vazia. Ele se questiona: "Toda uma vida vivida sem amor é equivalente a um dia vivido com paixão?

É sempre triste sair de casa e cruzar o limiar da casa de outra pessoa. É por isso que também é um momento triste para uma filha. Afinal, as lágrimas da menina não são de tristeza, mas apenas de arrependimento ao se separar da vila nativa, parentes.

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O poeta pediu a seu amigo o famoso compositor cazaque Kenes Duisekeev que escrevesse a melodia O compositor, ao escrever a música, lembra sua única irmã, que não teve tempo de se casar e morreu aos 19 anos. Ele retratou o que o pai teria sentido se ela se casasse.

Portanto, a música acabou homenageando não só a filha do poeta, que vai se casar, mas também a irmã do compositor, que jamais teve essa experiência. Portanto, Karagym-ai fala também de amores que nunca se cumpriram.

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Dimash cantou a música "Karagym-ai" em um concerto dedicado aos 70 anos do compositor em 26 de março de 2016.



Texto por Sabrina Maciel

Declaração de Paz de Astana do VIII Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais e "The Story of One Sky" de Dimash Qudaibergen

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