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BamBam: “Dimash entraria em minha vida como um furacão”


O cantor e compositor Fabrício Almeida Araújo tem uma carreira consolidada de quase duas décadas de estrada. Mineiro de Governador Valadares, Fabrício BamBam, como é conhecido no mundo da música, divulga seu trabalho no Youtube, onde tem um canal com mais de 93 mil inscritos. Certo dia viu um amigo músico fazendo um vídeo de reação e decidiu fazer também, como passatempo. 

Não era nada muito produzido ou uma expectativa de fazer do cada vez mais frequente “reaction” o foco do seu trabalho na internet. Mas foi daí que Dimash entrou na sua vida “como um furacão”, como ele mesmo define. 

BamBam já tinha ouvido a versão original de “SOS D'un Terrien En Détresse”, o clássico francês interpretado por Grégory Lemarchal em 2004. 

— Percebi que o vídeo do Dimash no programa The Singer estava muito bombado, com vários e vários reactions, e resolvi então fazer de uma performance dele dessa música, mas de um vídeo de 2018 — conta o músico.

O vídeo escolhido por BamBam para sua estreia em um conteúdo de análise vocal e artística foi o de uma mais famosas performances de Dimash da canção francesa: a do Slavic Baazar, festival da Bielorrúsia vencido por Dimash três anos antes. A reação foi feita em dezembro de 2018, cinco meses após a apresentação de Dimash. O vídeo tem quase dois milhões de visualizações.

— Dimash me trouxe naquele vídeo possibilidades que eu não imaginava que um ser humano poderia apresentar em termos de extensão vocal e capacidade técnica no exercício do canto. SOS na voz e interpretação de Dimash entraria na minha vida como um furacão. E eu não estava preparado. Essa performance de Dimash me inspirou a desenvolver novas habilidades no exercício do canto e performance interpretativa — lembra.

Essa foi a única reação que ele fez em inglês, mas BamBam lembra que ficou tão impactado pela performance que chegou a ter dificuldades com a pronúncia e articulação.



 — Era sobre-humano, era de outro planeta, era impossível. Música é uma coisa que me toca profundamente, e essa performance de Dimash me imergiu num mundo mágico que eu não conhecia ainda, que são as possibilidades que o jeito Dimash de cantar e interpretar podem te levar. Desde então acompanho tudo o que ele faz. Fiz diversas reações sobre o trabalho dele. Dimash continua maravilhoso, continua me inspirando. Continua sendo o mesmo Dimash quando o conheci: impactante! — descreve.

“O céu não é o limite para Dimash”

Fabrício BamBam é reconhecido pela voz e interpretação no meio rock / metal. Tem como inspiração especialmente Freddie Mercury, Bruce Dickinson e Ronnie James Dio.

— Eu que sempre escutei os gigantes para me inspirar como cantor passei a ter outro gigante chamado Dimash, que me mostrou a suavidade, a emoção, a capacidade interpretativa amplificada, a comunicação com o olhar e uma série de diferenciais que Dimash, apesar de tão jovem, já trazia em sua performance. O céu não é o limite para Dimash, porque não há limites para tamanha magia da música — afirma.

BamBam é grato aos fãs de Dimash que prestigiam seu canal e que passaram a conhecer seu trabalho como artista.

— Sou extremamente grato por ele ter me “emprestado” um pouquinho do talento cativante dele para que hoje eu tenha, através do reaction a ele, fãs espalhados por todo o planeta também, pessoas que começaram a acompanhar e curtir meu trabalho como cantor e compositor. Agradeço a cada fã de Dimash. Vocês são sempre bem-vindos! — diz o músico.

Talento reconhecido

Fabrício BamBam tem 39 anos de idade e quase 20 de carreira. Já participou de vários trabalhos artísticos em bandas de Minas Gerais. O mais expressivo foi na banda Elephant Casino, que conquistou fama nacional e internacional. 

Em carreira solo há três anos, gravou singles e videoclipes, como as músicas Mind in Clouds e Empty Chest, além de suas performances como intérprete. Todo esse conteúdo está em seu canal no Youtube.

Para conhecer o trabalho do cantor e compositor Fabrício BamBam siga os links abaixo:

No YouTube: youtube.com/fabriciobambam 

No Instagram: instagram.com/fabriciobambam

Abai, da poesia à lenda




“Não sei se vivi bem ou mal, mas percorri um longo caminho entre lutas e disputas, sentenças e discussões, sofrimentos e preocupações, e assim cheguei à idade madura, exaurindo minhas forças, cansado de tudo [...].
Papel e caneta serão meu único consolo, passarei a anotar meus pensamentos. Se alguém encontrar neles uma palavra útil, que a copie ou memorize. Já se ninguém delas precisar, permanecerão comigo. 
Agora não tenho mais nenhuma preocupação além dessa ”
Abai Qunanbaiuly, O Livro das Palavras.

O escritor e filósofo Abai é uma figura central na cultura e na sociedade cazaque, considerado o pai da literatura e um dos grandes responsáveis pela preservação do idioma. No passado, ele também foi celebrado como um precursor e exemplo do espírito soviético, ainda que tenha vivido antes da Revolução. Muitos escritores soviéticos locais consideraram Abai um "escritor verdadeiramente soviético" pelo fervor revolucionário de seus textos e sua ânsia pela dignidade do povo. Uma versão romantizada da vida de Abai se tornou um gênero enciclopédico e histórico próprio, um clássico do realismo soviético escrito por Mukhtar Auezov.
A construção de heróis como Abai e a escrita histórica em romances permaneceram no coração da literatura moderna cazaque do século XX. Durante esse período, no contexto da propaganda e censura soviética, os escritores usaram o gênero de romance histórico para recontar as histórias de seu povo e reescrever sua nação em romances, peças de teatro, óperas e outros gêneros literários. Abai se tornou o símbolo máximo do espírito das estepes e um dos primeiros protagonistas históricos do realismo soviético que o transformou em lenda e modelo.
Abai nasceu em 10 de agosto de 1845, na região do Semipalatinsk, no seio de uma família extremamente rica e poderosa e começou a escrever ainda na juventude. Apesar de pertencer à elite da sociedade cazaque, desde cedo se mostrou ciente das necessidades das pessoas comuns. Como filósofo, ele vivia com o que seu povo vivia, compartilhava com eles sua dor e privação. 
Sua principal contribuição para a cultura e o folclore cazaque está em sua poesia, que expressa grande nacionalismo e cresceu a partir da cultura folclórica. Antes dele, a maior parte da poesia tradicional era oral, ecoando os hábitos nômades do povo das estepes. Durante sua vida, no entanto, ocorreram várias mudanças sócio-políticas e socioeconômicas importantes, a influência russa continuou a crescer no Cazaquistão, resultando em maiores possibilidades educacionais e em exposição a diferentes pensadores. Abay Qunanbayuli mergulhou na história cultural e filosófica dessas novas visões. Nesse sentido, sua poesia criativa afetou o pensamento de toda a classe instruída do país.
Seu legado é rico em canções e poemas, traduções e prosa. Seu livro mais famoso Kara Sozder, popularmente conhecido como O Livro das Palavras embora Palavras de Edificação seja uma tradução mais fiel, ganhou recentemente uma versão em português. Escrita ao longo de quase 10 anos, reúne 45 palavras de aconselhamento e contemplação que expressam seus mais profundos pensamentos, aspirações e críticas. Esta obra é uma reflexão sobre a vida nacional cazaque na segunda metade do século XIX e tem influenciado gerações até hoje.
Você pode encontrar o livro gratuitamente para download no site oficial da Embaixada do Cazaquistão no Brasil ou, se for usuário de Android, na Google Play Store.
Durante o mês de maio, estaremos publicando alguns de seus poemas por aqui e incentivamos a todos que lerem a participarem do Abai Challenge que lançaremos em breve em nossas redes sociais. 
Жақында кездескенше!

Texto, pesquisa e tradução por Sabrina Maciel

Karagym-ai, o amor paterno e a importância da música na cultura cazaque


Depois de meses sem postar nada aqui trago mais um artigo especial com um pouquinho da cultura cazaque e da história por trás das músicas que nosso querido Dimash canta.

Há um provérbio que diz: “Deus colocou uma partícula de kuy (música) na alma de cada cazaque no momento de seu nascimento”

Pessoas que vieram de fora, que observaram a vida dos cazaques nos séculos 18 e 19, notaram com surpresa e admiração, a criatividade do povo, a capacidade de criar improvisações musicais e poéticas, a participação de toda a sociedade em rodas de música - de crianças a pessoas muito idosas.

Cada estágio da vida é acompanhado por uma música. Por exemplo, quando uma jovem se casava e deixava sua aldeia, ela cantava uma música dedicada a cada um de seus parentes. Há uma música que é cantada nos casamentos, também uma música dedicada ao 25º aniversário, considerada a idade da maturidade. Os funerais também são acompanhados por cantos específicos.


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Aproximadamente 25 anos atrás, o poeta cazaque Shomishbay Sariev escreveu a letra da música "Karagim-ai". Ele dedicou a música à filha, que estava se casando. O pai coloca seus sentimentos no texto, sua preocupação em como será a vida da filha com o noivo, o que a espera pela frente. Compartilha com ela pensamentos sobre o significado da vida. O poeta argumenta que o significado mais importante da vida é o amor. A vida vivida sem amor é vazia. Ele se questiona: "Toda uma vida vivida sem amor é equivalente a um dia vivido com paixão?

É sempre triste sair de casa e cruzar o limiar da casa de outra pessoa. É por isso que também é um momento triste para uma filha. Afinal, as lágrimas da menina não são de tristeza, mas apenas de arrependimento ao se separar da vila nativa, parentes.

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O poeta pediu a seu amigo o famoso compositor cazaque Kenes Duisekeev que escrevesse a melodia O compositor, ao escrever a música, lembra sua única irmã, que não teve tempo de se casar e morreu aos 19 anos. Ele retratou o que o pai teria sentido se ela se casasse.

Portanto, a música acabou homenageando não só a filha do poeta, que vai se casar, mas também a irmã do compositor, que jamais teve essa experiência. Portanto, Karagym-ai fala também de amores que nunca se cumpriram.

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Dimash cantou a música "Karagym-ai" em um concerto dedicado aos 70 anos do compositor em 26 de março de 2016.



Texto por Sabrina Maciel

KUDAIBERGEN, KUDAIBERGENOV OU QUDAIBERGEN?

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Assinatura do cantor no alfabeto cirílico
Recorrentemente em diversos grupos de fãs, vejo o quanto a escrita do sobrenome do Dimash causa confusão e insegurança quando a grafia correta e, até mesmo, muitos chegam a duvidar da autenticidade de alguma de suas mídias sociais.

Então, qual seria o correto? Kudaibergen, Kudaibergenov ou Qudaibergen? Os três estão corretos. Trata-se apenas de transliterações diferentes.
Kudaibergen (Құдайберген) é a transliteração da grafia em cazaque. É a contida nos documentos oficiais do Dimash.
Kudaibergenov (Кудайбергенов) é a transliteração da versão russa do seu nome. Que também é reconhecida como uma grafia oficial, vez que o Cazaquistão é um país bilíngue. Muitos documentos são escritos nos dois idiomas.
Qudaibergen, por sua vez, é a grafia obtida pelo novo alfabeto oficial do Cazaquistão que começou a transição no ano corrente, 2018, e apenas será obrigatória a partir de 2025.
O Cazaquistão vai mudar de alfabeto?

Sim! E essa já é a terceira vez que tal mudança acontece nos últimos 100 anos. Após passar pelo árabe, latino, cirílico, em 2017 o presidente Nursultan Azarbayev anunciou a implementação de um alfabeto próprio.
O principal objetivo é resgatar suas origens, facilitar a escrita nos diversos dispositivos eletrônicos, estreitar as relações internacionais e, bem como, afasta-se das influencias russas (ainda hoje há mais falantes do russo do que o próprio cazaque no país).
O Cazaquistão conquistou sua independência após a dissolução da URSS em 1991.
É uma grande mudança, mas países vizinhos como Azerbaijão e Uzbequistão já mudaram para o alfabeto latino com sucesso. O mesmo se espera para o Cazaquistão.


Por Tatianny Ribeiro
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Declaração de Paz de Astana do VIII Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais e "The Story of One Sky" de Dimash Qudaibergen

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